DE HOMEM PRA HOMEM
Por Ruy Filho
TENDA DRAMAMIX
18h00 – “A Palestra”, de Lúcia Carvalho
Direção: Lúcia Segall
Elenco: José Rodrigues Passarinho e Melissa Vaz
Muito poderia ser explorado sobre a dicotomia homem-mulher, mas o mais relevante para uma compreensão teatral desse binário talvez seja trazer ao palco exatamente a condição dicotômica. A não ser na construção de gêneros dos personagens, aquilo que implícita a separação limita-se a mera representação superficial de ambas as características. Ou seja, cabe mais ao signo teatral que a representação de gênero. Incluir a subjetividade determinaria ao próprio fazer teatral condições de criação e realização específicas, afinal, não se atinge resultados diversos se se reproduz os mesmos mecanismos de produção. Enquanto o homem é identificado pela forma e a mulher revela a intuição como estruturais, ainda que ambas as designações sejam simplificações de parâmetros manipulados pela história e variações de poder e controle, é possível assumir tais parâmetros como contexto diferenciador sim, dentre tantos outros possíveis de serem catalogados. A subjetividade é estrutural em muitos aspectos, então por que não se apropriar das diferenças para criar? Infelizmente o teatro se aproxima pouco dessas possibilidades e, quase sempre, impondo processos dominados pelo homem. É curioso perceber que isso se dá na ação enquanto o discursa-se sob princípios intuitivos, emocionais, sensíveis. Ao se debruçar sobre o que venha a ser o Homem e a Mulher, o artista amplia a capacidade de seu próprio processo e, invariavelmente, do resultado alcançado. Pena que os palcos ainda seja dominados por caricaturas dessas discussões, ao invés de trazê-las para âmbito da criação. Afinal, discursos são discursos, falas, apenas. Só precisamos entender o óbvio, portanto: palco não tem gênero.
0 comentários:
Postar um comentário