NEM SEMPRE VALE A PENA VER DE NOVO
Por Ruy Filho
TENDA CENAMIX
17h30 – “Enquanto Só”
Direção: Denis Antunes
Uma das maiores dificuldades em se falar sobre a vida e o amor não está no falar em si, mas no perigo de se apaixonar pela fala. Personagem, texto, trilha, clima etc. A redundância sígnica, o acúmulo do mesmo código desestimula o interesse pela narrativa. Não serve ao público a segurança de tanta repetição do mesmo jeito que pode servir ao artista. Enquanto para ele isso agrega certa segurança, para quem assiste sobra repetição. Só que alguns temas são por si só latências de repetições, e não há muito que fazer com isso. Ou se ignora ou se encara. As questões então são outras: para quê? O que é possível apresentar de novo ao que se mantém igual? E mesmo quando não é a novidade o instrumento utilizado, como pode o mesmo ser ainda interessante? Esse dilema intrínseco ao fazer teatral determina a grandeza do discurso. Quanto mais se aprofundar suas questões, mais singulariza a repetição. E aí sim surge a fala, o discurso como eco de uma necessidade original do artista, que, se não do espectador, ao menos se mantém saborosa ao desvelamento das necessidades do outro. De todo, enfim, os atores deram conta do contar. E isso já é bom de ver.
1 comentários:
Seu texto foi escrito para nós atores e realizadores, e acredite, acrescentou.
Creio que a fórmula e o tema, por mais que pareçam repetitivos, podem ainda mexer com espectador, e se isso aconteceu de alguma forma, o nosso objetivo foi alcançado. =)
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