TESTE DE MANIPULAÇÃO E EFICIÊNCIA
Por Ruy Filho
TENDA DRAMAMIX
19h00 – “A Técnica do Enrocamento”, de Roberto Alvim
Direção: Luis Valcazaras
Elenco: Guto Vieira, César Roldão e Marco Watanabe
Dizia mais ou menos assim: a técnica do enrocamento consiste em cercar por várias condições. Dá pra se dizer pouco sobre o desenvolvimento de uma técnica que se desconhece. E esse é o caso. O intricado jogo de manipulação entre os envolvidos, apropria-se do desconhecimento do espectador da técnica para desenvolver uma trama original e complexa, ainda que em curto tempo de ação. O interessante fica sobre a proposição de tratar a aplicação de uma técnica o argumento dramático. Atribuir a qualquer processo o desenvolvimento de mecanismos estruturais que sequencializados de acordo com seus preceitos podem ser replicados com intuito de determinar os resultados oferecidos. Assim poderíamos entender o que entendemos por técnica. E é esse o ponto de conflito e metáfora apresentado. Saindo para além dos personagens e da dramaturgia, problematizar o uso da técnica como necessidade de controle e poder, argumenta com o teatro de Alvim de modo mais direto e interessante. Sua pesquisa no Noir é fundamentada em precisão, escolhas e desenvolvimento tecnicista da cena. Não vale qualquer julgamento sobre isso, afinal, escolhas são pessoais e devem ser respeitadas dentre seus limites. Quando assistimos, então, Alvim escrever sobre a técnica como instrumento de ação, logo um paralelo com suas pesquisas se torna inevitável. Nas escolhas por certa assepsia da linguagem, detalhando a cena a uma realidade controlada e minimalista, onde a luz é fundamento estético mais do que instrumento de revelação espacial. Como se a ordenação fosse um processo de reconstrução do caos em que o homem e a sociedade se tornaram, como se a organização fosse o princípio de recriação crítica sobre a desordem. Os espetáculos do Noir são assim e há igual tonalidade em A Técnica do Enrocamento. Na estabilidade de uma técnica que se transmite ao público enquanto a assistimos eficiente no desenvolvimento dos personagens. Na organização da narrativa e o tom didático de apresentação dos objetivos a serem atingidos. Valcazaras deu toque próprio a essa leitura. Trouxe certa interferência e sujeira ao asséptico de Alvim. E a junção determinou um espetáculo híbrido. Nem lá nem cá. Mas permeado por mais substâncias provocativas e inquietudes. Difícil dizer, mas algo ali funcionou bem.
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