domingo, 28 de novembro de 2010

Drive thru

TODOS CADA UM
Por Ruy Filho

TENDA DRAMAMIX
04h00 – “Drive Thru”, de Marcos Gomes
Direção: Marcos Gomes
Elenco: Fernando Fecchio, Luna Martinelli e Marcos Gomes


O quão efêmeras são as relações? A individualização do sujeito atinge paradigmas mais incompreensíveis no contemporâneo. Tem-se por individualização o processo de tornar próprio ao indivíduo. Somou-se, ao tempo, a independência, e individualizado passou a ser tudo aquilo que próprio diz respeito apenas a um desconsiderada a existência do entorno. Quando as relações sofreram igual processo, o paradigma de ser uma relação o processo vivencial entre duas ou mais pessoas, dissolveu-se a importância do outro, da complementaridade e, por conseguinte, do antagonismo. Essa nova estrutura conduz o convívio não como algo que se dá entre, mas como processos independentes que, de alguma maneira, encontraram-se e se contaminaram. Não o suficiente, porém, a ponto de modificar o individual. Surge uma nova ordem sócio-comportamental, onde a superioridade é essência de sustentação do indivíduo. E são os entremeios dessa nova ordem os interlocutores de possíveis contaminações. A droga, a prostituição, o crime e o proibido são faces dessas contaminações por serem entradas ao coletivo de indivíduos, onde não há obrigações alguma de se modificar longe do seu universo. Assim, o indivíduo encontra um grupo protegido e pode explorar suas nuances e devaneios sem o perigo de deformar sua identidade e sua face pública.

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