“Meu corpo é meu corpo, cada parte dele” Marylin Monroe – fragmentos pg. 81
Por Luiza Novaes
SATYROS I
“Cabaret Stravaganza”
Direção: Rodolfo Garcia
Tá na moda falar sobre corpo, afinal de contas, se por um lado temos um corpo que já passou por todas as fases desde a sua total exposição até o momento atual, em que me parece que o retorno de se ter um corpo que se esconde, volta para a cena, o tema é bem contemporâneo, no sentido bom do termo.
Afinal, o nosso país é o lugar da pornochanchada e nada mais possível de ser realizado na época de repressão do que a diversão do nosso povo! (risos)
Por outro lado, os comentários são de todo o tipo e na maioria das vezes tudo bem contraditório, se temos alguns especialistas de diversas áreas que afirmam que o corpo deve ser modificado, para esconder a velhice bem como o ranço da falta de desejo que iria imputar esse corpo que já não cabe mais no mercado de carne!
Outros mais conservadores, apreciam a naturalidade do corpo com sua juventude ou velhice, mas que traga a clareza de um corpo que é sim marcado pelo tempo e por isso sofre com ele todas as transformações…
Acredito que ambos os conceitos acima delineados são um tanto quanto extremistas, e discordo do artigo de Luis Pondé de hoje na Folha de São Paulo (21 de novembro de 2011), dizendo que o silicone é a saída para o mundo… vamos lembrar que ainda, até onde sei, beleza é um conceito a ser discutido, e o tal do belo, já provou um monte de tratados de diversas naturezas, que possibilitam ainda mais que essa discussão fique fervorosa!
Inicio com esse longo discurso, meio sem rumo ainda, para pensar sobre uma peça que assisti no primeiro dia de Satyrianas, mas que estava maturando para conseguir trabalhar uma boa resenha, Cabaret Stravaganza.
Antes de mais nada, gostaria de dizer que tive sorte nessa Satyrianas, fui premiada com comédias e peças interessantes, com motes que davam pano para manga!
Os Satyros são um grupo que agora já possuem uma estrutura física de espaço, escola própria que treina seus próprios atores e um monte de fãs preparados para conseguir galgar um lugar no elenco, sua estética já possui consolidadação e com isso, obviamente não sofrem com os pânicos da falta que um grupo inciante e mesmo um grupo de teatro que ainda não tem estrada sofrem! Dito isso…
Gostaria de esclarecer um segundo ponto, isso não isenta o grupo de buscar novas pesquisas e tentar ainda que com o mesmo elenco trazer novos desafios de interpretação para que o públilco que não conhece trema quando assistir a um espetáculo e para os espectadores assíduos saibam que irão assistir algo diferente!
A inovação no caso da peça analisada é no sentido da temática, que muito atual, conversa com o preâmbulo do corpo, com o mundo virtual e essas novas relações que andamos estabelecendo o tempo todo.
Temos criado hábitos que esquecemos de perceber, o que representa essas horas que despendemos na frente do computador e afinal, o que escolhemos ver, sentir, julgar, avaliar…?
Nossa sociedade impõe uma tela, que os meninos do elenco expressam muito bem, de uma fragilidade um tanto quanto esquisita, e quando entre nós há uma máscara que não é mais teatral ou do cinema, senão avatares de nós mesmos que esquecemos que criamos. Quem somos nós?
O monstro de nós, que habita na nossa pele, aquele que twita, aquele que facebooka, o dos e-mails, aquele que escolhe sites de diversas afinidades das mais bizarras às mais comuns…
Simpatizei muito com a dor da experiência de descrever os suicídios que ocorrem nos redores da Roosevelt, eu mesma já me sensibilizei muito quando um amigo estudante da minha universidade se jogou do quarto andar… Isso provoca pensar afinal, o que resta de nossa vida e de nossa morte e o que fazemos nesse meio tempo?
Outra inovação é a quebra da quarta parede para apresentar pequenas pessoalidades desses atores que vemos quase “inventadas” no nosso imaginário, principalmente dos assíduos que disse da Roosevelt e dos Satyros em específico, desvendando verdades que foram questionadas por um dos personagens em dado momento, que provocam a nossa curiosidade ainda mais, será que o Fábio Penna sentiu dor na primeira vez e que Cléo Paris ouviu secos e molhados naquele momento? Será que Phedra sempre se via no espelho como um menino que queria ser menina? E daí por diante… Recurso muito importante para trazer o público para perto.
Senti um pouco de falta de uma linearidade, ainda que imaginária dos próprios personagens, sentia que não sabia ao certo o que pensar ou como foram montadas as cenas, acho que isso pode ser uma proposta que o grupo se utiliza, mas sinto um pouco de vontade do grupo responder essa contemporaneidade de uma forma mais delineada, se me permitem…
A prisão é dentro de nós como um dos personagens cita, então vamos quebrar essas barreiras e buscar nessa identidade e nesse corpo também algum tipo de informação que não seja só essa que de alguma forma temos o tempo todo do fragmentado, daquilo que é parte, vamos achar o todo, qual é o nosso todo, ainda que tenhamos como bibliografia a Sarah Kane, ainda que Durkheim e o sucídio foi pensado, ainda que possamos trazer o fato de que as pessoas já nascem personagens, ainda que Shakespeare e Stalinsnavski.
Somos híbridos então, vamos nos organizar e montar um discurso e propor algum tipo de sonho, já que vocês meus queridos já sonharam tanto e já conquistaram tanto, já podem nos mostrar até isso, espero…
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